O número de estudantes inscritos no ensino superior em Portugal atingiu, no ano letivo de 2025/2026, o valor mais elevado dos últimos dez anos. De acordo com os dados divulgados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), encontravam-se registados 447.680 estudantes até 31 de dezembro de 2025, mais 6.705 do que no mesmo período do ano letivo anterior. Os números confirmam a tendência de crescimento da procura pelo ensino superior, apesar de uma redução no número de colocados através do concurso nacional de acesso. Comparando com os dados disponíveis desde 2010/2011, verifica-se atualmente um acréscimo de cerca de 44 mil estudantes inscritos. O aumento mais significativo registou-se nos cursos de mestrado, que passaram de cerca de 115 mil para mais de 122 mil estudantes. Já as licenciaturas foram o único ciclo de estudos a apresentar uma ligeira diminuição no número de inscritos. Também os cursos técnicos superiores profissionais e os doutoramentos registaram crescimento face ao ano anterior. Segundo o relatório da DGEEC, o ensino superior público continua a concentrar a maioria dos estudantes, representando cerca de 79% do total de inscrições. Os dados revelam ainda um aumento da presença de estudantes internacionais, tanto em programas de grau completo como em mobilidade académica temporária, refletindo a crescente atratividade das instituições portuguesas junto de alunos estrangeiros.
Ensino superior reforça corpo docente com mais 10 mil professores em dez anos
Em Portugal, o corpo docente do ensino superior registou um crescimento significativo ao longo da última década. Dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) indicam que, no ano letivo de 2024/2025, exerciam funções mais de 42 mil docentes nas instituições de ensino superior, refletindo um aumento de cerca de 31% face a 2014/2015. Em termos numéricos, este crescimento traduziu-se em mais de 10 mil professores e investigadores integrados no sistema de ensino superior português. A tendência de subida foi consistente ao longo dos últimos anos, com um crescimento médio anual próximo dos 3%. Ainda assim, foi sobretudo a partir de 2021 que se verificou uma aceleração mais evidente, período em que o número de docentes aumentou cerca de 16%. Esta evolução acompanhou o reforço da procura pelo ensino superior. No mesmo intervalo temporal, o número de estudantes matriculados cresceu de forma expressiva, registando uma subida próxima dos 30%. Apesar do aumento simultâneo de alunos e docentes, a relação entre estudantes e professores manteve-se relativamente equilibrada, situando-se atualmente em torno dos 11 estudantes por docente. Os dados mais recentes sugerem, assim, uma expansão sustentada do sistema de ensino superior em Portugal, tanto ao nível da população estudantil como da capacidade de resposta das instituições através do reforço do corpo docente.
Ensino Superior Privado reforça oferta formativa com aumento de vagas para o ano letivo 2026/2027 em 5%
O ensino superior privado português vai disponibilizar 29.315 vagas no ano letivo 2026/2027, mais 1.417 lugares do que no ano anterior, o que representa um crescimento de 5% face a 2025. O reforço surge num contexto de elevada procura por cursos superiores, especialmente nas áreas da Educação, Saúde e Tecnologias. Entre os cursos com maior aumento de vagas destaca-se a Licenciatura em Educação Básica, formação que habilita ao acesso a mestrados profissionalizantes para docência no ensino pré-escolar e no 1.º ciclo. A procura por esta área tem vindo a crescer, em parte devido à necessidade de renovação geracional do corpo docente em Portugal, marcada por um número significativo de professores em idade próxima da reforma. O acréscimo de vagas foi distribuído pelos diferentes regimes de acesso, incluindo o regime geral, o acesso para maiores de 23 anos, titulares de cursos profissionais, detentores de diploma de especialização tecnológica (DET) e titulares de diploma de técnico superior profissional (TeSP). Esta diversificação de vias de ingresso reflete uma tendência de alargamento do perfil dos estudantes, com maior presença de candidatos adultos e de percursos formativos não tradicionais. O sistema de ensino superior privado em Portugal integra universidades e institutos politécnicos, representados pela Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP), que tem defendido um papel complementar ao setor público, sobretudo em áreas com elevada procura ou onde se registam limitações de vagas nas instituições estatais. O aumento agora anunciado reforça o peso do setor privado no panorama nacional, que já representa uma fatia significativa do total de estudantes do ensino superior em Portugal. Com o novo ano letivo a aproximar-se, espera-se que a dinâmica de candidaturas confirme a tendência de crescimento, num cenário em que o acesso ao ensino superior continua a ser visto como determinante para a qualificação da população ativa e para a competitividade do país.
Lançamento do Observatório do Ensino Superior Privado
Decorreu, dia 20 de janeiro, no Salão Nobre do Instituto Nacional de Estatística (INE), a apresentação pública do Observatório do Ensino Superior Privado da Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP), um momento de particular relevância para o ensino superior em Portugal. A sessão de abertura contou com as intervenções do Presidente do INE, António Gomes Rua, do Presidente da APESP, António Almeida Dias, e da Secretária de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico. Na sua intervenção, a Secretária de Estado destacou a importância da recolha sistemática de dados estatísticos e do seu uso qualificado, sublinhando que a informação fiável é essencial para sustentar decisões estratégicas no ensino superior e para apoiar a definição e avaliação de políticas públicas. Seguiu-se a apresentação técnica do Observatório, realizada pela sua Coordenadora, Cristina Ventura, que deu a conhecer os objetivos, o âmbito e o modelo de funcionamento desta nova plataforma de conhecimento. O Observatório do Ensino Superior Privado surge como um instrumento estruturante de produção e sistematização de informação sobre o setor, orientado para o (re)posicionamento do ensino superior privado no contexto do sistema de ensino superior, na sua relação com o mercado de trabalho, com a comunidade e no plano internacional. Na sua intervenção, foi evidenciado que o trabalho do Observatório assenta em várias etapas fundamentais — identificar, planear, recolher, produzir, sistematizar, tratar, analisar, interpretar e comunicar dados — garantindo rigor metodológico e consistência analítica. O projeto envolve uma equipa multidisciplinar composta por investigadores e técnicos especializados, apoiada por uma rede de pontos focais, recorrendo a fontes oficiais e a contributos de diferentes partes interessadas. Foi ainda apresentado o portal digital do Observatório, concebido como uma plataforma de acesso público à informação produzida, promovendo a transparência, a comparabilidade e a disseminação do conhecimento. Posteriormente, teve lugar um painel de reflexão dedicado ao tema, que contou com a participação de David Justino, professor e antigo Ministro da Educação, Nuno Neto Rodrigues, Diretor-Geral da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, Luísa Loura, Diretora da Pordata, Isabel Babo, Vice-Reitora da Universidade Lusófona, e Cristina Ventura, Coordenadora do Observatório. O painel foi moderado por Isabel Patrício, jornalista do ECO, e proporcionou um debate alargado sobre a importância dos dados, da análise estatística e do conhecimento estruturado para uma leitura mais integrada e informada do sistema de ensino superior. O encerramento da apresentação pública esteve a cargo de João Redondo, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APESP. A sessão contou com a presença de mais de uma centena de participantes, incluindo representantes institucionais, dirigentes de instituições associadas da APESP, organizações nacionais e internacionais, federações académicas e embaixadas de vários países, evidenciando a relevância e o alcance do projeto. O APESP e a Coordenação do Observatório estão de parabéns pelo lançamento desta plataforma digital inovadora, que representa um contributo decisivo para o conhecimento do ensino superior em Portugal.





